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17 de Dezembro de 2019

Sirius alcança seu primeiro feixe de elétrons armazenado

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Nova fonte de luz síncrotron brasileira continua sua trajetória de testes bem-sucedidos


No último sábado, dia 14 de dezembro, a equipe do CNPEM conseguiu, pela primeira vez, armazenar por várias horas elétrons no acelerador principal do Sirius. Manter essas partículas circulando por longos períodos de tempo é condição essencial para se alcançar a produção de luz síncrotron de qualidade, e acontece poucas semanas após ter sido alcançada a primeira volta de elétrons no acelerador principal.

Já na segunda-feira, dia 16 de dezembro, com a conexão do acelerador com a estrutura de uma das estações de pesquisa montadas para testes, foi possível receber o primeiro pulso de raios X, ainda discreto devido à baixa quantidade de elétrons circulando no acelerador.

A conquista aconteceu após um intenso e minucioso trabalho de ajustes de centenas de parâmetros dos equipamentos, e é mais um marco muito importante no processo de comissionamento do Sirius. A equipe se dedica agora a alcançar correntes elétricas cada vez mais altas, necessária para se produzir luz síncrotron de intensidade suficiente para a realização dos primeiros experimentos científicos.

No ano que vem esta estrutura deverá estar pronta para a realização de pesquisas, com impactos positivos no desenvolvimento de medicamentos, na agricultura, meio-ambiente, energia e muitas outras áreas!

Pesquisa

Os próximos passos do projeto incluem também a conclusão da montagem das primeiras estações de pesquisa, onde os cientistas devem realizar, a partir do ano que vem, experimentos com uso da chamada luz síncrotron. Esse tipo especial de luz, de altíssimo brilho, é capaz de revelar detalhes dos mais variados materiais orgânicos e inorgânicos, como proteínas, vírus, rochas, plantas, solo, ligas metálicas, dentre muitos outros.

Sirius é a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no País e um dos primeiros aceleradores síncrotron de 4ª geração construídos no mundo. Foi projetado para colocar o Brasil na liderança deste tipo de tecnologia, permitindo visualizar estruturas na escala das moléculas e átomos, com altíssima resolução e velocidade.

Tecnologia brasileira

O novo acelerador de elétrons brasileiro Sirius está instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, SP. Cerca de 85% dos recursos empenhados pelo Ministério de Ciência Tecnologia Inovações e Comunicações (MCTIC) foram investidos no País, em parceria com empresas nacionais. Além da construção civil, foram estabelecidos contratos com mais de 300 empresas de pequeno, médio e grande portes, das quais mais de 40 desenvolvem soluções tecnológicas para o Sirius, junto aos pesquisadores e engenheiros do CNPEM.

Fontes de luz síncrotron constituem o exemplo mais sofisticado de infraestrutura de pesquisa aberta e multidisciplinar e é uma ferramenta-chave para a resolução de questões importantes para as comunidades acadêmica e industrial brasileiras. A versatilidade de uma fonte de luz síncrotron permite o desenvolvimento de pesquisas em áreas estratégicas, como energia, alimentação, meio ambiente, saúde, defesa e vários outros.  Essa é a razão pela qual a tecnologia da luz síncrotron se torna cada vez mais popular ao redor do mundo. É também o motivo pelo qual os países com economias fortes e baseadas em tecnologia já contam com uma ou mais fontes de luz síncrotron, ou as estão construindo.