Laboratório Nacional
de Luz Síncrotron

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Sirius cada vez mais próximo da realidade

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Obras civis estão 84% concluídas e acelerador de elétrons começa a ser montado já em março


A construção do Sirius, a nova fonte de luz síncrotron brasileira, avança a passos largos. Ainda em março começa a ser instalado o primeiro dos três aceleradores de elétrons que compõem a máquina: o Linac, ou acelerador linear. E, dentro de pouco mais de um mês, será iniciada a montagem dos demais aceleradores — ou seja, o booster, ou acelerador injetor, e o anel de armazenamento, que é o acelerador principal.

As obras civis de construção do Sirius também estão avançadas, com cerca de 84% de conclusão, e em breve estarão em condições apropriadas para receber o início da montagem das estruturas aceleradoras. Com mais de 500 metros de circunferência, o Sirius é a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil.

Sirius será uma ferramenta científica de última geração, aberta à comunidade de pesquisadores do Brasil e de todo o mundo para a análise estrutural dos mais diversos materiais. A nova fonte de luz síncrotron permitirá a realização de experimentos hoje impossíveis no País, abrindo novas perspectivas de pesquisa em áreas estratégicas, como saúde, agricultura, energia, biotecnologia, nanotecnologia, ciência dos materiais, ciências ambientais e muitas outras.

Desafios construtivos

O prédio de 68 mil metros quadrados que abrigará o Sirius está entre as obras civis mais sofisticadas já construídas no país, com exigências de estabilidade mecânica e térmica sem precedentes.

No final do ano passado foi concluída a fase mais crítica das obras: a implantação do piso especial onde serão montados os aceleradores de elétrons.

Considerado um desafio por conta de seus requisitos de nivelamento e planicidade, este piso é constituído de uma única peça de concreto armado, com espessura de 90 cm, que consumiu cerca de setenta mil metros cúbicos de concreto especial de baixíssima retração, além de 900 toneladas de aço. A tolerância dimensional para o piso especial dos aceleradores é de ± 10 mm – ou seja, a diferença de altura entre ponto mais baixo e ponto mais alto do piso. Medições realizadas após a conclusão de sua construção atestam o cumprimento de todos os requisitos técnicos de estabilidade, com desvios máximos de ± 9 mm para este piso.

Como o feixe de elétrons do Sirius deverá ter dimensões micrométricas (ou seja, cerca de mil vezes menor que um milímetro), a estabilidade nesta região é considerada um parâmetro crítico do processo construtivo. Estes cuidados são importantes porque, quanto mais concentrado for o feixe de elétrons, melhor e mais brilhante será a luz síncrotron produzida e entregue para os pesquisadores. A luz síncrotron é a responsável por atravessar as amostras e revelar as informações a respeito dos materiais investigados, de forma que a qualidade da luz gerada a partir da aceleração dos elétrons é determinante para a qualidade dos resultados das pesquisas.

Cronograma e financiamento

No segundo semestre deste ano deverá ocorrer a primeira volta dos elétrons no acelerador do Sirius. A abertura da nova fonte de luz síncrotron para pesquisadores de todo País e do mundo acontecerá em 2019, após os ajustes necessários para o funcionamento de uma estrutura desta complexidade.

O projeto completo – que inclui o prédio, as três estruturas aceleradoras (acelerador linear, booster e acelerador principal), 13 estações de pesquisa, além de toda mão de obra – está sendo financiado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O Projeto também integra o Programa “Agora, é Avançar”, sendo uma das obras de infraestrutura científica contempladas por esse programa do Governo Federal.

Cerca de 85% de seu orçamento deve ser executado no País. Mais de 200 empresas brasileiras, de pequeno, médio e grande portes, estão envolvidas em diferentes tipos de parcerias do Projeto Sirius. Destas, cerca de 40 empresas têm trabalhado em desenvolvimentos tecnológicos especialmente para o Projeto Sirius.